Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Fevereiro 27 2011

O TRINCO

 

 

Puxava sem parar aquele trinco

Que a porta dos meus pais tinha na frente,

Zangava a minha mãe frequentemente,

Mas tinha poucos anos, talvez cinco…

 

Aquela brincadeira deixou vinco

Que o tempo não desfez e, certamente,

Ao lembrá-la renasce uma semente

Nas memórias que guardo com afinco.

 

E a porta de castanho, bem polida,

Hoje madeira seca, enegrecida

Por tempos que se fecham na distância.

 

O trinco desgastado está comigo,

Nas horas da saudade é um abrigo

Que abre a porta de anil da minha infância.

 

 

Autora: Glória Marreiros

 

 

 

 

publicado por appoetas às 07:33

Dezembro 18 2010

CHORA O VENTO

 

 

Deixem-me ser quem sou... e nada mais!... 

Que importam minhas mágoas, o desdém!

Só ouço, agonizante, aqui e além,

O canto trespassado dos meus ais...

 

O vento traz carícias, traz sinais

De visões doutros sonhos, que também

Aliviam a dor que me sustém.

O vento chora e geme:  - Aonde vais?

 

As águas da cascata, outrora puras,

Levaram-me a um charco de amarguras

Que a vida revirou e pôs do avesso.

 

Flutua o meu olhar na madrugada,

Na esperança de ser mais do que nada

No rio onde o caudal é forte e espesso.

GLÓRIA MARREIROS

 

publicado por appoetas às 21:27

Agosto 07 2010

 

POENTE

 


Glória Marreiros

É um vasto jardim o meu poente
e doce o patamar dos meus afectos.
É suprema a visão onde os meus netos
habitam este trono incandescente.

Neste pulsar de vida, a minha mente
vê a Lua mais cheia de projectos.
O  Sol, no seu sorriso, doira os fetos
e as rosas da minha alma, docemente.

Idade é sempre um livro de cultura,
onde a vida é história que perdura
na fragrância do tempo que inebria.

Não temo pelas rugas do meu rosto,
porque só a magia do sol-posto
trará, em plenitude, um novo dia!

 

 

  

 

 

 

 

 

publicado por appoetas às 18:25

Maio 20 2010

E depois do amanhã, que se aproxima

em laudes que transmitem minhas rezas,

talvez que eu veja estrelas sempre acesas

na extrema-unção do brilho que me anima…

 

E seja um campo santo, noutro clima,

onde as palavras se oiçam, sempre ilesas,

e com sons que tilintam sobre as mesas,

que citam o sabor da minha rima.

 

Há sinais de esperança no futuro

do meu sonho, que aspira por ser puro

nas cores dum matiz que esmoreceu…

 

Há-de fazer-se luz na minha treva

e o céu dirá ao sol para que escreva

que, depois do amanhã, existo Eu!

 

(in:”E Depois do Amanhã?”)

 

Glória Marreiros

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 23:27

Maio 20 2010

Existem primaveras com mil flores

e verões feitos de oiro e calmaria,

Outonos onde a fruta é uma orgia

a dar ao nosso Inverno outros sabores.

 

Existem as manhãs plenas de cores,

que atingem o seu rubro ao meio-dia

e tardes de novenas e magia,

com noites de luar e de louvores.

 

Existem paixões plenas de carinho

na ânsia de encontrarem o caminho

das terras que lhes foram prometidas.

 

Existem, sem se ver, tantas visões,

que pulsam, sem parar, nos corações

dos sonhos que alimentam nossas vidas.

 

(in:”E Depois do Amanhã?”)

 

Glória Marreiros

Publicado por Liliana Josué

 

 

 

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 23:21

Maio 14 2010

  

 

Caíram as folhas dos sonhos que eu tinha.
O vento as levou?... Se as levou já não sei...
Os troncos são nus de esperança e de lei
E a cepa é vazia da paz que mantinha.

 

Caíram as folhas, ficou uma linha
Traçada à deriva, sem rumo e sem grei.
Quis Deus que assim fosse?... Mas nunca esperei
Sentir que a minha alma morresse sozinha.

 

O vento é do Norte e fulmina, sem dó,
Meu peito, sozinho, na dor, como Job,
De braços erguidos em jeito de cruz.

 

Caíram as folhas que estavam coladas
Ao céu, como estrelas de luz, em risadas,
Deixando os meus sonhos arcaicos e nus!

 

Glória Marreiros
Portimão - Portugal

 

 

(enviado por Tito Olívio)

 

fotos de Iara Melo

publicado por appoetas às 19:51

Maio 14 2010

 

 

Glória Marreiros
Portimão - Algarve

 

Chegaste na hora em que eu ia partir.
Trazias quimeras fechadas na mão
e sonhos trepando em sublime ilusão,
p’ra pôr sobre a mesa do nosso porvir.

Trazias sorrisos de estrelas a rir
no céu cor de prata do teu coração.
No cheiro dos goivos plantaste a razão,
que põe nas ausências discreto polir.

Fiquei indecisa perante o banquete,
mas tinha comprado, a chorar, o bilhete
do trem mais veloz, que não volta, depois…

Subi um degrau e senti minha idade,
olhei nos teus olhos e vi a saudade,
peguei-te na mão e partimos os dois.

 

GLÓRIA MARREIROS

 

 (enviado por Tito Olívio)

 

Quadro de Iara Melo

 

publicado por appoetas às 17:26

Abril 30 2010
E DEPOIS DO AMANHÃ?
 
OS POETAS GLÓRIA MARREIROS E TITO OLÍVIO (PORTUGAL) GOSTARIAM QUE LESSEM O SEU NOVO EBOOK (FEITO EM CONJUNTO). É LIVRO DE SONETOS DE ESTILO CLÁSSICO, PRIMOROSAMENTE FORMATADO E ILUSTRADO PELA WEBMASTER BRASILEIRA IARA MELO.
DOIS ASSOCIADOS DA APP E DOIS GRANDES POETAS
 
(colocado por Maria Ivone Vairinho)
publicado por appoetas às 18:33

Abril 17 2010

 

 

Lembras-te, meu amor, dessa viagem

para a lua de mel e da magia;

o comboio a trinar, em sinfonia

com a visão do mar, suprema imagem?...

 

 

Viam-se arcadas, torres e ramagem

e gaivotas dançando de alegria;

palacetes, igrejas, romaria

e beijos despertando na paisagem.

 

O comboio a trinar, nos seus caminhos,

levava nossos sonhos e carinhos

num vagão de esperanças e de afectos.

 

Levou a nossa história, sempre linda,

O comboio que trina e leva, ainda,

Em passeios, à tarde, os nossos netos!

 

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Emoções Em Terra Doce)

 

publicado por virginiabranco às 23:20

Abril 08 2010

Não tenho mãe. Sou filha do destino,

que me gerou, sòzinho, a soluçar,

em noite, desprovida de luar

e débil dum sorriso do Divino.

 

Nunca fui embrião que, pequenino,

se sentisse num ventre a flutuar,

ou feto que bebesse o madrugar

dum abraço materno e cristalino.

 

Se o destino é meu pai, que fez de mim?

Deu-me a vida e não disse de onde vim.

E nunca saberei para onde vou...

 

A mãe, que nunca tive nem vou ter,

é, talvez, o meu grito de mulher,

sinal de que, também, não sei quem sou!...

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Emoções em Terra Doce)

publicado por virginiabranco às 23:48

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